Guardiã de memórias


Uma das partes mais bonitas do meu trabalho é receber as criações dos meus pacientes.
No dia a dia, pela escuta, tenho o privilégio de acessar os tesouros de seus inconscientes. Mas, às vezes, esses tesouros ganham forma: aparecem em desenhos, fotos, escritos, músicas e isso é precioso.
Ocasionalmente, no meio do dia (ou da noite), chega até mim uma foto, uma ideia, um texto, um “self note”, um insight, o áudio de um sonho. E, nesse instante, sou levada imediatamente a esse lugar seguro - e, por que não dizer, sagrado - uma espécie de território de textura única, onde acontecem as trocas sutis entre inconscientes ao longo do processo terapêutico.
Recebo, organizo em pastas com seus nomes, marco as datas, às vezes para revisitar a cronologia do processo. E então me percebo: guardiã de memórias. E me sinto, de fato, com sorte.
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